Para quem vive no Porto Dantas, o descarte irregular de resíduos sempre fez parte da paisagem. Entulhos, móveis inutilizados, restos de poda e outros materiais eram frequentemente abandonados em ruas e terrenos, comprometendo a limpeza urbana, a saúde pública e a qualidade de vida da comunidade. Com a implantação do novo ecoponto na Avenida Euclides Figueiredo, a população passa a contar com um espaço apropriado para destinar esses resíduos de forma correta e ambientalmente adequada.
Mais do que uma nova estrutura, o equipamento representa uma mudança na rotina de quem convive diariamente com os impactos do descarte irregular. É o caso do carroceiro Flávio Oliveira, que há mais de 20 anos trabalha recolhendo materiais na região. Para ele, o ecoponto facilita o trabalho e contribui diretamente para manter o bairro mais limpo.
“É fundamental para a gente que trabalha com carroça, porque agora podemos levar o lixo para o lugar certo. Entulho, folhas, móveis, tudo pode ser descartado corretamente, sem jogar em qualquer lugar. Isso evita mosquito, rato, mau cheiro e beneficia toda a comunidade”, afirma.
Mudança aguardada pela comunidade

Moradora do Porto Dantas há 18 anos, a costureira Irene Rodrigues acompanhou de perto os problemas provocados pelo descarte irregular. Ela lembra que alguns pontos do bairro acumulavam grandes quantidades de resíduos, que muitas vezes eram incendiados, agravando ainda mais a situação.
“Foi uma novidade muito boa para a nossa comunidade. As pessoas jogavam muita coisa em qualquer lugar e, perto da ponte, o lixo acumulava e acabavam colocando fogo. Quem tem problemas respiratórios sofria muito com a fumaça. Agora, com o ecoponto, a Prefeitura oferece um destino adequado para esses materiais. Eu gostei”, conta.
Segundo Irene, outro problema recorrente ocorre nos períodos chuvosos, quando os resíduos descartados nas vias são levados pela água e acabam obstruindo a rede de drenagem. “Na minha rua mesmo, muita gente joga lixo na via. Quando chove, a água leva tudo para os bueiros, que ficam entupidos. A água demora para escoar e a rua alaga. Se cada um fizer a sua parte e levar os resíduos para o ecoponto, isso pode melhorar muito.”
Ela acredita que o novo espaço também representa um convite à conscientização da população. “Agora é usar o ecoponto e colocar o lixo no lugar certo. Quem ganha é todo o Porto Dantas.”
O mecânico José Idalécio, morador do bairro desde 1998, também testemunhou durante anos o descarte irregular em diferentes pontos da comunidade. “Era demais. Tinha gente que deixava entulho até na porta das casas. Vinham de outros lugares e descartavam tudo aqui”, relembra.
Para ele, o ecoponto traz praticidade ao oferecer um local específico para o descarte de materiais volumosos. “A importância é muito grande. Basta chegar ao local e fazer o descarte. A equipe orienta direitinho onde cada material deve ser colocado.”
José também reforça que o sucesso da iniciativa depende do compromisso da população. “Agora nós temos um lugar adequado. É importante que todos utilizem o ecoponto e deixem de jogar lixo em qualquer lugar.”
Inaugurado pela prefeita Emília Corrêa, o ecoponto do Porto Dantas foi implantado justamente em uma área que, durante anos, registrou descarte irregular de resíduos. O equipamento amplia a rede de ecopontos da capital e fortalece as ações da Prefeitura de Aracaju voltadas à limpeza urbana, à preservação ambiental e à destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
A unidade segue o mesmo padrão operacional dos demais ecopontos do município. O espaço conta com uma caixa estacionária de 5 m³ destinada a resíduos volumosos, como podas, móveis, embalagens e objetos não industriais; uma caixa de 30 m³ para resíduos da construção civil; quatro contentores de 240 litros e um contentor de 1.000 litros para materiais recicláveis e pequenos resíduos eletrônicos.
No local, a população pode descartar podas, restos de móveis, materiais volumosos, cascalho e resíduos da construção civil, com limite de até um metro cúbico por usuário, além de papel, papelão, plástico, vidro, metais, pilhas, lâmpadas e pequenos equipamentos eletrônicos, desde que acondicionados adequadamente. O ecoponto não recebe lixo domiciliar comum, como resíduos orgânicos, que deve continuar sendo destinado ao serviço regular de coleta.

